segunda-feira, 22 de março de 2010

Soa o vento, bucólico sopro do leste,
Que nos busca, trazendo suas especiarias verdejantes,
Como um adeus das árvores ao suspiro meu que foge,
Das misteriosas danças noturnas

Num último tributo ao astro, as nuvens sorriem róseas,
E restam-me estros e mariposas, damas das flores,
Em cortejo, árias de saudade ao coquetel das cores,
Apoteose tétrica das invejosas da noite

E lamentos sob o luar soam, sigilosos dentre as sombras,
À lagoa quieta, espelho ao furor ébrio das fadas,
Desenham-se no céu ao pastoreio da gama,
Das paixões perdidas, paradoxo ao luar de sorrisos

Ressaca das dores, o apogeu de todos os olhares,
Das danças hipnotizantes, dos aromas ao orvalho,
Consolação ao sorriso dos cantantes, delirantes,
Troantes flamas à nostalgia que enseja, o dobrar dos sinos

Como das árias aos ecos da solicitude às minhas paixões