Àtropos
Fictícia fantasia,
Da vanglória obscura,
Matriz da utopia,
Obscena e impura
Geratriz da loucura,
À justiça cega,
Dos homens de almas criadas,
Liberdades silenciadas
Alquimistas da conjuntura,
Hereges da vida
Engenheiros da morte,
Condutos da sorte,
Como bem convém,
Obscena e imunda
Para a desumanidade,
Só lhe reservo meu repugno,
E dedico a minha decepção,
À humanidade, incoercível,
Em pura irracionalidade, ilesa,
Palpável, suscitada, coesa,
Em seu caráter irascível,
Nesse amortecer da racionalidade
Minha sanidade em cinzas,
Plurais, em desgraças,
Geradas em plural, de fumaças,
Como a Fênix, em brasas
Seus olhos acinzentados,
Singularíssimos de morte,
Eternamente sem sorte,
Indesejadamente esvaídos
Singulares olhos calados,
À Nostalgia do escarlate,
Vivez, perdida em ânsia,
Exaurida, nata ao silêncio
Verdade tal qual é pura,
Assim como a morte,
E a liberdade, nua e crua,
Divina e inflexível, Átropos,
A única verdade obscura