Novamente amanhece, ventos tristes vem e vão,
Batem em meu rosto, esquecidas manhãs de verão,
Hão de em mim irradiar, prostro que ao crepúsculo aninha
Muitos invernos, castro ao que até a fome definha, e mendiga,
Morte, claustro à desejo caro aos que em alforria, em morte
Que sorte! gastro em recejo claro à podridão de minha agonia,
Que sobe, rastro ao almejo raro da razão à lá sofia,
Última lágrima às dores que te custe, que ao mudo choro acalenta e a embuste
Pedestal, a lástima que te reste, dos invernos a que te preste, funesto,
Sepulcro à que pouse, ao sorriso em que encerra, celeste à que repouse,
Ultima lágrima a que da manhã tirou-se, luar mudo ao choro que a alvorada almejou-se
Profanais, e percebo-te, dúvida, imperdoável seja,
Esqueçais tal promessa, que à vida enseja,
Aliviais, e descanse, há que à morte almeja,
Á tua insignificância, sob celestial que esbraveja,
Acima de tal cinza, há de brilhar sol que ruge,
Dentre cinzas e brumas, há de brotar ao que urge
Entre nuvens e mil trovões, brisa lunar ao que surge,
Ária noturna, do trovador carente ao canto, a que rege,
Inefável natureza do amor, complacente ao pranto em que tinje,
Cor da rosa à la esfinge, serenata muda à dama que tange,
Noturno cortejo ao nascente, mil gracejos à que lhe contente,
Sorriso resplandecente, da dúvida a que não mais se recente
Deste enigma hiperbólico, à desleixo de minha perdurável cicatriz,
Não mais em medo, de retórico segredo, inefável, de meus poemas matriz,
Verdadeira chave do paradigma, amor em pétalas de rosa verniz,
Perdido ao fundo abismo da insignificância, que em sabedoria prediz
Ao amor em imprescindível latência, fruto da vida e a ela geratriz
Como ao universo, e minha enigmática existência, ao todo, de inverno atriz