segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O violão não está em minhas mãos
Porque o pôr-do-sol está atrás da parede?
Dedilho o ar num intento mudo,
Escuto o burbúrio como se fosse eu
Atrás da parede

Passarinhos solidários
Que me ajudam num momento de solidão
Tão felizes por si mesmos
Tão despreocupados por si mesmos,
E ainda cantam uma canção
Por trás da parede

É só seguir os passarinhos,
Hostis mazelas postas de lado,
Afinal, livre
É só se soltar dessas paredes
É só abrir a porta
Preocupações mundanas
São palpáveis de mais,
Alcançáveis demais,
Procurarei eu o inefável
Indizível em palavras
A serenata da natureza
A ópera lindamente desorganizada
Dos passarinhos que cantam a canção

Pôr-do-sol
Que ilumine essa sombra
Que eu ilumine essa sombra
E atravesse as paredes
Num rumo errante e sempre
E que as paredes me digam adeus