O Pato
palmatória na mão
quadro negro e uma incerteza
resquícios de minha incólume rebeldia
que formigam em meu cérebro
como uma planta a se regar
como uma ideologia a se arregrar
abafada por essa cascata de anti-ideias
presa por uma única porta
quase uma porta de hospício
que delimita o auspício
o augúrio de uma corneta
que mete medo em qualquer infante
escravo submisso à algo que ele não vê
principal pregador do que ele não tateia
eficiente instrumentista do que não escuta
errante que sustenta o próprio erro
errante como eu
errado como eu
que nasci com esse grilhão
próprio erro como à um prisioneiro
que duvida da justiça posta
prisioneiro como eu
que não sou mas é,
errado e errante
nessa cadeia diferente
que é mas não é,
onde são invisíveis as algemas
onde não visíveis são as grades - ou nem tanto
onde o criminoso é bem pago
ou não?
e a vítima é que paga,
o pato ...que acaba sendo.