quinta-feira, 15 de abril de 2010

A legar seus sorrisos mansos,
Aos festejantes que dançam também,
Salvos ao pileque, os rondadores ignotos,
Anônimos ostentando suas armas,
Dançando ao ranço das almas,
Salvando as delicias peadas,
Dos crápulas as afagadas,
Almos doados fadados,
Às rapinas fardadas

Carrancas latiram ascos!
A alegar seus pares rotos,
Em calcanhar as algemas ocas,
Nos pescoços as coleiras tortas,
Às almas as potreias chocas,
Ao leviatã as mãos insípidas,
Sem mão de lâmina ríspida,
Sem palma de casta pudica

Leões cantaram lábaros!
A elucidar troantes séquitos,
Que desnorteavam seus passos,
Em hiperbólica canção dos perdidos!
Rompantes tortos aos sorrisos escrotos,
Plateia coesa nas gatunarias delirantes,
Louvantes tracitos do descaminho garrido,
Caminhantes antes o caminho destemido

Lobisomens uivaram horrores!
Legado das dores e hipocondrias,
Regado a flores nas romarias,
Flores cuspidas esculpidas
Maculadas nas orgias ordinárias,
Fadantes aos garrotes flácidos,
Supliciantes ao dote impávido,
Desflorado em barrete frígio,
Enquanto permanecia plácido

A alegar a pirraça fiável,
Legou a traça inefável,
Alegrou a graça incrível,
Logrou a lavra crível,
Lavrou o riso,
O coringa do baralho


terça-feira, 13 de abril de 2010

...eu
Insone ao entardecer em meus paradoxos
Inertes os olhos que choram, de rir de tão triste
Insana a boca, seca de falar em tanto remorso
Inato perfume em preste, e falha, em riste

Em nobre embuste aos sofismas,
Em sofisticadas vestes aos teoremas,
Em rotas que restem as hipóteses,
E em tu drenam as apoteoses...

De esvaídas tardes minhas
De recaídas torpes tinhas,
Deveras sordidezas,
Deveras realezas

Suas incertezas,
Sua certeza,
Me reza,
Bruma,
Lesa...

sábado, 10 de abril de 2010

Antropolatrias ao antro das egofagias

- Luto com os galhos na terra dos cegos. Perco-me na sofreguidão apressada, ao meu sangue a ânsia, de manchar com o rútilo que os olhos veem, mas não dizem. Insepulto, eu às amarras danço freneticamente, ao abafo das prosápias, linhagem das sordidezes; Ó malfadas mequetrefes!
- Toma a potreia de minha graveolência, fetiche à tuas hipérboles bêbadas, e caia na solicitude inimiga à ânsia, ambígua aos caprichos, galhos que só te ferem, fidalgos a que predizem, eu, a morte fantasiada, a boceta de pandora.
- A escuridão do érebo e onírico se vicia, em alegoria às cores de minha completa alforria. Lamúria à verve da verte em poesia, razão súdita à razão, revelia revés ao desaire, da dicotomia de minha sede, à panaceia perdida do meu existir, teu porvir, nosso fugir, à latria de nossa existência. E nem vivo, e nem morro.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Andavas com punhos nos bolsos rasgados,
Trapos indiferentes às carcomidas de outrem,
Nascidos aos restos sob os defuntos negados,
Aos vermes, cunho a que te acorrentem,
Nos postes multi-cores dos ratos, teus renegados,
De tuas tripas, pobre fado aos fatos, famintos,
Aos teus fluídos trocados, tua vergonha,
Pelos abortados ao rito, selvagens dos mitos

Em doença explana queimaram-se às fogueiras,
Onipotência em dança, choraram em gargalhadas,
Chocaram-se as flamas, agora em curvas gralhadas,
Arderam em chamas, labora às purezas em clama
Da última profanação, graça às potreias inflamas,
Vinho à heresia mundana, teu fluído perdido,
A dor aos vermes infaustos, teu fado garrido,
Grito de sangue, batismo em graças cortantes

Eu andava com bolsos nos punhos rasgados
De outrem indiferentes a teus trapos carcomidos,
Defuntos nascidos aos restos negados
Dos vermes, cunho aos meus restos fugidos,
Queimados na graça de belos suspiros,
Morridos na pirraça ao enfermos famintos,
Das minhas tripas póstumas das chamas, o grito,
Em cinzas dos meus vermes partidos - os meus suplícios