Quando sem artifícios poéticos, me pergunto: há quanto tempo não escrevo? Há quanto as rotinas esmagadoras me sufocam? Também penso que eu não deveria falar em rotinas, pois eu sou elas, foi por mim que não passou o Intento. Criei barreiras a Ele, fracassei em intervir no que me intervêm.
Ao pensar em como é difícil viver uma vida de obscuridades, de questionamentos e indagações, me vejo na pele de quem aparenta não se preocupar com essas coisas: seria tão mais fácil contar com o previsível. Será mais um adorno dessas pessoas? Não tenho como a isso responder. Mas sei que eu não tenho "uma aparência", que eu não me ponho máscaras nem armaduras, e sofro mais por isso, sofro em dobro pelas intempéries...
Tenho vontade de tacar um grande Foda-se às "obrigações", aos poderes temporais e espirituais, mas sinto que não estou pronto...
Me sinto como se eu estivesse sentado contemplando o pôr do sol, mas tinha um formigueiro debaixo da minha bunda, e agora estou sofrendo as consequências...
O segredo é apunhalar-me com o sentimento de Presença, enfiar a cara no formigueiro, lutar contra as agonias que me visitam, deixar que as formigas carcomam as minhas vísceras... até não sobrar carne, matéria, convenções, vícios, viciosidades...
Sobrará o imune.