Certa feita um sábio escreveu: "Sê presente em cada alento"...
Os versos me fizeram pensar na ingratidão para com a vida.
Os problemas incham a atmosfera das cidades e das pátrias,
que em verdade são as piores apátridas... O berço esplêndido esvai-se
nos quadros do senado, encharcados de uma glória sangrenta que riu-se
da História do Povo e das músicas e danças locais
Whitman diria "Presencie a respiração da terra!"; sou patriota da Terra!,
quero viajar até minha Pátria,
embrenhar-me solitário na selva e nas multidões
Do progresso da terra sem alentos
não se traduz liberdade ou ordem; clamam por crimes capitais
para justificar a justiça e seus anais. Dos monumentos da controvérsia
se explanam os maniqueísmos contra os versos das coisas e os versos,
mas a moeda não tem só um lado, o caminho não tem só uma direção
e a Poesia não tem regimento
Os elementos-problema são o Estado,
o estado de espírito dos sujeitados aos problemas e medos convencionados.
Contra o mar só há o penhasco!
contra um lado tem o outro,
contra a gente tem a gente
Qualquer problema parece mera cagada de pássaro
quando tomamos aquele do ácido corrosivo de pessoas,
criador de personalidades-adorno do nosso belo quadro social;
sua mãe ou cria que é a mercadoria, vende-o também nas universidades
catalogadoras de um moderno Index Librorum Prohibitorum,
e cai em sítios rasos a reflexão de dotes profundos...
Que os regimentos e estatutos façam-se em poesia!
Pois o amor é como mato que brota no concreto
e paixão é a flor que desabrocha em drama e murcha em tragédia.
Mas não há deleite maior nem trabalho divino que ofusque
o insistente labor das abelhas a distribuir seus secretos frutos
alheia aos apaixonados que insistem no concreto de pouco sumo
ou cega aos que desistem e anseiam tornar-se um tijolo no muro
Mas há propósito em tornar-se do muro,
pois aqui isso ainda é como apoderar-se do "mundo".
Quem compartilha do nomadismo conceitual
haverá de ser tijolo pra lá de desigual
que não aceita ser pintado sem trabalho em dobro
do responsável por desaparentar de tudo isso o engodo
que é o muro alvo e branco da sociedade ideal
Sopro que entra nessa janela não é vento nem alento.
Se entrar vento nela, é moldura, ceifa a leve ternura
da brisa gratuita dada no Nascente a acobertar as criaturas
e o andarilho que deixou metros quadrados e cúbicos ao léu
do vento que não se mede em anemômetro, mas em carícias
às folhas e às asas do que por acaso saiu à Casa dos aristocratas
da razão e da sorte de viver cem mil sóis sem casas