terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Barco maluco, de todos os céus e todos os mares
de sete ventos proa e de sete léguas profundas,
O covil àqueles que não se curam, àqueles que não balançam
À música do mar, cântico dos anjos e pedestal aos deuses perdidos,
Presos, acorrentados, às sete léguas que se afastam,
Muito mais, e mais, de ti como se não houvesse mais importância

Barco à todos mares e de todas marés, palavras de um poema excêntrico,
Cortador tal as gaivotas que fluem, mar adentro, recital às músicas que sempre dormem,
dentro desse mar que tu corta
Arma em mãos de quem chora, rumo ao vão de quem clama, um lugar como esse
De céu, mar, lua e sol, tal qual o rumo do barco maluco, dentro desse mar que tu corta

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Mosaico gigante, preto, cinza e azul anil,
Montes disformes me separando em pedaços,
Simples palavras num verso sem final,
Jogados à sorte do mercenário de si mesmo,
Buscador aos restos, de si e ao que responde,
O fujidor às poesias, de mim destino e ao que questiona,
Inspirador à morte, infinito seja,
Eu, gênese à minha sorte, quando eu a verdade encontrar,
Estrela alada, talvez, gênese ao inefável e de mim, talvez,
Do céu, seu fim, meu fim, começo do infinito e fim da verdade,
Infinita seja, e eu, seguindo junto à ela, na poesia do universo

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Pelas marés e danças adentro ao abandono
Paz entorpecida nos passos de bailarinas silentes
Ecos nas que parecem dúbias salientes
Vazio ao que aparece, em vãs palmas carentes
Invisível em que fenece, ansa à podridão que lhe intima

Convido à dança antes que ela me faça
Me carrego à lua cantando à que me silencie
Séquito em mesmo que indubitavelmente me conquiste,
Em cortejo, ao que travo e entravo em passos descrentes,
O empunho da faca em meus pulsos, nobre marionete de mim

Então sigo-a à sarjeta
Então danço em seus passos
Então lanço de lágrimas e ás lastimas,
Nobre marionete de mim,
E a dança continua