terça-feira, 14 de setembro de 2010

os fins

tu vive a fugir de uma certa ânsia de fuga de tudo e de si,
num demolir de paralisias que o moldam,
se ferindo nos cacos e proferindo hinos de caos
deferindo profecias ímpias
que profetam profilaxias ímpares
e pares às hipocondrias profícuas,
as quimeras que não raro rareiam,
raridades que, meros fantasmas que são,
no rarefeito ar que te afoga, são efêmeras

tu não tens a chave dos grilhões;
provavelmente ela está no fim do arco-íris
assim como o fim do arco-íris,
o fim que não têm meios e nem receios,
apenas o fim, provavelmente assim como o de nós
que temos no todo a confiança aos grilhões, nossos meios e receios
que confinaram a ânsia anteveja à sorte que é ansiar pelo nada e pela negação,
o fim máximo de nós quando puros sob a imensa escuridão,
o eclipse total, o caos ou o fim do fim do arco-íris,
porém, leve e solto em brumas,
livre e solvo como nuvens
num céu que não importará qual cor,
sempre por todo sempre foi incolor e impostor da vida
que não se apercebeu da dor
e da tempestade das nuvens
que depois geraram lúmens
de diversas cores e homens
que zarparam para o fim do além
em leme forte,
e convém dizer:
é o que a vida tem que ser,
o significado que a morte tem que ter
como redoma da vida, como chave que aquebranta grilhões
e como o arco-íris se esvanece,
depois que o rei sol do trono alvorece
para virgens sonhos que hão de perecer
frente à beleza de ser
um antro de efêmeras quimeras